O descaso para com os trabalhadores do CIASC

18 de maio de 2004. É muito importante lembrar essa data! Para os novos que estão chegando esta nota é um esclarecimento da luta dos empregados pela empresa pública e de qualidade chamada CIASC, e para os mais antigos, uma forma de reavivar as lembranças dos acontecimentos que se tornaram realidade. Naquele dia ocorreu uma histórica audiência pública que reuniu trabalhadores do CIASC, seu sindicato, representantes do poder executivo, parlamentares e diretores da empresa na Assembléia Legislativa do Estado de SC. Em pauta? O futuro da empresa!
O sindicato já vinha denunciando nessa oportunidade aspolíticas dos seguidos governos estaduais que estavam sucateando a empresa e privilegiando a terceirização, ou seja, as empresas privadas. Como, por exemplo, no Plano de Informatização da CASAN de 1996 que resultou em um investimento de aproximadamente 30 milhões de reais (isso mesmo, 30 MILHÕES!!!), contratado junto a iniciativa privada. Apenas o módulo “Contabilidade” foi então implantado e já estava descontinuado, sendo que a CASAN procurava na época outra solução no mercado, que geraria novos custos.
Esse é apenas um dos inúmeros absurdos. Enquanto isso, não se investia na modernização do parque tecnológico do CIASC, nem se investia numa política de atualização técnica/valorização dos trabalhadores, e nem tampouco em contratação de empregados por concurso público que poderiam fazer o mesmo serviço com menor custos e com mais qualidade, porque não trabalhamos para engordar margens de lucro privado.
No entanto, a direção da empresa e o governo do Estado seguiram na lógica do absurdo e do ataque ao patrimônio público. Pegaram milhões de reais emprestados com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) na época, endividando mais ainda o poder público, e canalizaram para uma nova empresa terceirizada, a POLITEC, para que ela, e não o CIASC desenvolvesse um novo sistema de Recursos Humanos, descartando a proposta que os técnicos do CIASC apresentaram, com a desculpa de que o tempo previsto para o desenvolvimento do sistema era demasiadamente longo.
Na audiência pública do fatídico dia 18 de maio de 2004 foi denunciado que isso seria outro desperdício de dinheiro público e um grande ataque ao CIASC. O secretário de administração Marcos Vieira à época do governo Luis Henrique da Silveira, junto com a direção da empresa, declararam que isso tudo não passava de “barulho” de um sindicato que estava em campanha salarial. O SINDPD/SC formalizou denuncias de mau uso de recursos públicos, que seguem até hoje sem conclusão.
As conseqüências daqueles atos vemos hoje que o custo e os prazos extrapolaram, a justificativa era que a empresa privada faria melhor e mais rápido(lembramos que o CIASC propôs um prazo próximo ao da empresa privada e bem mais barato para desenvolver o novo SIGRH, segundo foi informado na época). Hoje lá se vão sete anos, e o referido sistema só conta com 25% de servidores sendo processados, segundo estimativas, já que a real situação não está sendo amplamente divulgada.
E hoje? Algo mudou? Sim, mudaram as pessoas na direção da empresa e no governo do estado. Nas recentes mesas de negociação o governo do Estado e a direção da empresa dizem não ter dinheiro para reajustar os salários dos trabalhadores, nem para abrir novos concursos e modernizar a empresa, porque não tem receita, mas dispensar muito dinheiro para pagar as empresas privadas sempre tem. Se a situação financeira da Empresa  está ruim, não é por falta de empenho no trabalho dos empregados.
Com a retirada dos serviços pelo governo do Estado e conivência das direções do CIASC, os  trabalhos foram contratados com terceiros da iniciativa privada, então qualquer pessoa poderia prever que chegaríamos ao ponto em que estamos agora.
Explicando melhor a empresa POLITEC não concluiu o trabalho para o qual foi contratada, recebeu uma enormidade de dinheiro, não cumpriu sua parte (inclusive  referente ao repasse da tecnologia) e os trabalhadores do CIASC com certeza terão que fazer (de graça) o trabalho da empresa terceirizada. É assim que as empresas privadas que prestam “serviço” ao Estado, e os governos de plantão tratam o dinheiro público, sem nenhum respeito ao cidadão e tampouco para com os recursos recebidos/pagos.
Queremos saber quem vai ser responsabilizado por esses negócios altamente prejudiciais ao povo, por recursos mal gastos e ainda sem ter em troca os Sistemas que de fato atendam as necessidades dessa mesma população. Os empregados não foram ouvidos em 2004 e em todos os anos seguintes.
Nos cobram comportamentos que não o fazem em relação às empresas terceirizadas, fornecedores e outros. Ainda não sabemos, após 4 meses do inicio do novo governo, qual a política que será adotada para garantir o futuro do CIASC como uma empresa pública que preste serviços de qualidade ao Estado.
O que temos visto é mais uma vez um discurso de cobrança que vem em direção aos trabalhadores, que precisam estar motivados, que não tem recursos para reajuste de salários, que devem se empenhar trabalhando mais que a empresa está no “vermelho”. Ora se a empresa está nessa situação não é por causa dos trabalhadores, mas sim das seguidas e repetidas administrações, das políticas adotadas e da má gestão.
Queremos ser ouvidos e respeitados para que possamos fazer do CIASC uma empresa que mantenha os novos empregados, e que dê boas condições de trabalho a todos, com boas perspectivas de futuro. Novamente estamos repetindo o que dissemos em 2004. Que o governo e a Direção do CIASC parem imediatamente com essa política de “comprar” milagres a preços elevadíssimos e retornem os serviços ao CIASC. Primeiro porque “milagres” não existem e segundo porque o dinheiro público, o cidadão catarinense e o trabalhador do CIASC merecem respeito.
2004: R$ 12 milhões para contratar a POLITEC com prazo de entrega para 38 meses. Quanto às condições (prazo e valor) que o CIASC ofereceu não foram divulgados amplamente, cadê essas informações?
2004-2011: Houveram aditivos? Qual o valor, se houveram?
2011: Não se sabe o quanto de serviço foi realmente entregue (há uma estimativa de 25%) e quanto foi realmente gasto. Cadê a transparência?

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