Falta de repasse impede a ampliação de atendimentos

Centro especializado na Capital tem instalações que aguardam há mais de um ano por equipamentos

O Complexo do Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon) de Florianópolis tem 19 quartos de internação — com capacidade para duas pessoas cada um — prontos. As instalações aguardam há mais de um ano por equipamentos e móveis para atender quem se recupera de cirurgias contra o câncer.

Diante das paredes bem acabadas e dos quartos com luz e água quente que poderiam receber milhares de doentes por mês, o investimento nos 76 leitos e nos equipamentos nos dois andares de internação é de aproximadamente R$ 1 milhão. E mesmo os R$ 15 milhões necessários para finalizar todo o complexo, com a conclusão das obras nas áreas para unidades de terapia intensiva (UTIs) e para realização de cirurgias, parece pouco ao se pensar que, no Cepon, poderão ser feitas até 16 cirurgias oncológicas por dia.

Em 2010, o ex-governador Leonel Pavan chegou a realizar um ato comemorativo pela inauguração da ala de internações. Mas as obras no local estão paradas desde maio do ano passado por falta de repasses do governo do Estado. O hospital especializado em pacientes com câncer começou a funcionar em 2005 e, atualmente, recebe 3 mil pacientes por mês. O atendimento de quimioterapia, radioterapia e oncologia clínica é referência no setor, segundo o radioterapeuta Norberto Kuhnen. O problema, segundo ele, está em ter que encaminhar pacientes que precisam de intervenções cirúrgicas para outros hospitais.

— Câncer não é a mesma coisa que doença benigna. Às vezes, os pacientes entram na fila para atendimento e, quando vão ser atendidos, não dá mais para operar — ressalta.

O presidente da Fundação de Apoio ao Hemosc/Cepon (Fahece) que administra o complexo, Cláudio Fontes, concorda com as limitações do complexo. Ele explica que o Cepon consegue se manter, principalmente pelo que arrecada por atender os pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas depende dos recursos do Estado para finalizar as obras. Para o diretor técnico e operacional da Fahece, Hamilton de Vasconcelos, a área total de quase 14 mil metros quadrados do complexo pode ser muito mais útil.

— É um sonho ver funcionando.

Os integrantes da administração do hospital afirmam que a “tristeza é ver os guardas mandando as pessoas saírem do hospital porque deu sete horas e o local precisa ser fechado”.

O secretário de saúde do Estado, Dalmo de Oliveira, afirma que a intenção é concluir o pronto-atendimento — para atender emergencialmente, durante o dia, quem tem câncer — e ativar o setor de internação até dezembro. Já a UTI e o centro cirúrgico devem estar prontos em 2012. Segundo ele, o governo do Estado deve anunciar as medidas para a conclusão do Cepon já na semana que vem. Está em andamento no Ministério Público de SC, desde maio, um inquérito que apura justamente a falta de leitos no local.

Pacientes vêm de longe e aprovam o serviço

O aposentado Aloízio Hoffer, viajou oito horas de Porto União, no Planalto Norte, até Florianópolis, para realizar o tratamento no pulmão. O aposentado, que vem toda semana para o Cepon, aprova o atendimento. Zilda Rodrigues também achou bom os serviços. Ela vem ao hospital de 15 em 15 dias desde março, para tratar do câncer no pulmão e no baço.

— Muita gente vem da minha cidade se tratar aqui no hospital — afirma a dona-de-casa.

Zilda acha que será bom quando as obras ficarem concluídas porque os pacientes poderão ter tudo em um só lugar e não precisarão mais se deslocar a outros hospitais, como ela, que já ficou internada no Hospital São José.


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