Argélia: por uma nova independência

Argélia: por uma nova independência

No dia 5 de julho é comemorado o Dia Nacional da Independência da Argélia. Este fato histórico é relativamente recente e completa 57 anos em 2019. A independência, no entanto, foi proclamada no dia 3 de julho de 1962, quando foram cessados os 132 anos da presença francesa no país. Apesar dos quase oito mil quilômetros que separam a América Latina do país africano, são notáveis as semelhanças entre essas duas regiões em relação à instabilidade política e a crescente onda de manifestações populares.

O povo busca a sua revolução, pois rejeita o atual sistema político, que se ergueu através de manobras e perpetuou-se no poder ao romper acordos que protegiam a soberania do país. As mobilizações acontecem semanalmente há quase cinco meses e envolvem de 17 a 20 milhões de pessoas, em um país com população estimada de 40 milhões. A luta é por uma assembleia constituinte e pela implantação de um regime democrático no país.

Uma das protagonistas desse movimento é Louisa Hanoune. Ela candidatou-se à presidência da república em três ocasiões, atuou como deputada e caracteriza-se por sua longa trajetória como militante. Acusada de “conspiração para mudar o regime” e “conspiração para prejudicar a autoridade de um comandante militar”, Louisa teve sua prisão decretada estrategicamente por um tribunal militar no mês de maio às vésperas de uma grande manifestação que pedia pelo fim do regime político.

Vários movimentos ao redor do mundo pedem pela liberdade imediata de Louisa Hanoune, inclusive os manifestantes que vão às ruas naquele país. Na Argélia, assim como no Brasil, a população é bombardeada diariamente com escândalos políticos, entre eles o cancelamento das eleições e práticas de abuso de poder através de relações políticas privilegiadas.

Povo X Governantes

O norte da África se destaca por ser uma região que concentra a maior produção de petróleo e gás do continente africano, além de outras riquezas. O regime político instalado na Argélia resistiu ao imperialismo por um certo período, mas acabou se subordinando a práticas imperialistas, especialmente através de privatizações e demais ataques às condições de vida da população. Um governo de transição também se instalou, mas fracassou e, dessa forma, as manifestações ganharam força.

A verdade é que quando o povo brada por democracia, os governantes tendem a oprimir ainda mais aqueles que pedem liberdade. O mesmo aconteceu no Brasil com a polarização entre esquerda e direita e atualmente na França com o movimento dos “gilets jaunes” ou “coletes amarelos”, iniciado em 2018. Neste último, as manifestações se tornaram o movimento de mais longa duração registrado na França desde a Segunda Guerra Mundial. Tudo começou com protestos contra o aumento do valor do combustível e, posteriormente, outras bandeiras foram incorporadas ao movimento. Com o crescimento das manifestações, o governo francês não concedeu respostas, mas intensificou a repressão policial e judicial, tal como acontece na Argélia e como também se observa no nosso Brasil.